Nesta mesma hora, há exatos dez anos, ainda em São Paulo, ainda molhado, ainda não entendia direito o que havia acontecido. Apenas seis anos antes, pouquíssimos ousariam prever aquele momento. Seis anos. No curto espaço entre 1995 e 2001, aqui mesmo em Curitiba, um time de futebol provou que o impossível não existe. Ou, se existe, definitivamente não é atleticano.
Depois daquele apito final, lá em São Caetano do Sul, ninguém mais poderia duvidar do Atlético Paranaense. Não depois do dia 23 de dezembro de 2001. Nos seis anos anteriores, os atleticanos foram agentes e testemunhas da maior transformação já vivida por um clube de futebol em todo o planeta. Os que não acreditavam e riam da "absurda" pretensão teriam que para sempre engolir: o Furacão era o melhor time do país do futebol.
Mas os adversários continuaram duvidando. E o Atlético continuou provando: com trabalho e determinação, nada é impossível. Apenas três anos depois, detalhes impediram que a festa se repetisse. E já no ano seguinte, vejam só, uma alegria maior só foi evitada graças ao jogo sujo dos bastidores da bola. Proibido de jogar diante de sua torcida e mandado 600 quilômetros para longe do Caldeirão. Só assim o Furacão foi impedido de conquistar o Continente. Mais uma vez, estava provado: não é impossível.
Continuaram duvidando. E o Atlético seguiu provando. A melhor estrutura do futebol brasileiro. Vinte mil sócios. Arena lotada em todos os jogos. Copa do Mundo na Baixada. Dezesseis anos seguidos na primeira divisão, mesmo com menos receitas que os “grandes”, mesmo investindo seus recursos na consolidação patrimonial, sem gastar de forma irresponsável. Nada é impossível.
Dez anos depois da maior conquista, em 2011, uma nova prova. Mesmo com a melhor estrutura, mesmo com 20 mil sócios, mesmo com a Arena lotada, o Atlético está de novo na segunda divisão. Com incompetência e amadorismo, nenhuma tragédia é impossível. É a prova dos três últimos anos, estes 2009, 2010 e 2011 que servem de lição para todos os atleticanos.
Nada é impossível. Diante da tragédia, quem acredita no trabalho, na competência e na força da camisa rubro-negra lança um novo objetivo, ainda maior que todos os já conquistados. Que o Atlético pode ser o melhor do Brasil, ninguém mais tem o direito de duvidar. Dez anos depois da estrela dourada, a meta é conquistar o mundo. Agora, novamente sob o comando de quem tem coragem de enfrentar desafios que só os fanáticos atleticanos ousam encarar.
Muitos vão duvidar. Muitos vão rir. Mas não quem tem o sangue forte. Não quem só veste a camisa por amor. O Atlético pode. O primeiro passo é acreditar. Com a participação e apoio de todos os rubro-negros, com certeza o Furacão vai chegar lá. Que os atleticanos não liguem para a zombaria de quem ainda não aprendeu a lição e segue duvidando. Neste Natal, dez anos depois, a esperança renovada é o grande presente.
*Artigo dedicado a Mario Celso Petraglia, que a cada dia nos mostra: somos do tamanho dos sonhos que realizamos.
Trilha sonora
I'd love to change the world - Ten Years After