sábado, 16 de janeiro de 2010
Relaxa e goza
Acima de todos, claro, está a Federação Paranaense de Futebol. Mas os clubes não ficam muito para trás, não. Afinal, aqui nestas bandas parece ser impossível o mínimo entendimento entre o pessoal que manda na bola. Mais uma vez teremos o regulamento mais bizarro da história do futebol no Brasil. Vejam só! No Brasil, campeão do mundo dos regulamentos bizarros.
O “supermando” (o nome pode até parecer de super-herói, mas a parada é um monstro daqueles bem feiosos mesmo) está de volta. Incrível! De volta! Não tiveram a capacidade de concertar a caca que surgiu do amadorismo, da incompetência e da “malandragem”.
Acompanhei de perto o arbitral onde foi parido o monstrengo, no início de 2009. E digo, foi um tremendo freakshow. Uma baderna generalizada que começou com a briga entre os árbitros. Eles mesmos, os encarregados de zelar pelas regras do jogo. A velha disputa entre sindicato e associação dos apitadores abriu com chave de ouro a reunião.
Mas o pior estava por vir. Os clubes só tiveram acesso ao regulamento proposto pela FPF no dia do arbitral. Um documento onde qualquer detalhe pode comprometer a competição, que é a mais importante do ano para a maioria dos participantes. E o presidente da federação propôs que os clubes o aprovassem sem ao menos ler. Isso mesmo! Hélio Cury queria que os clubes avalizassem assim, de uma vez só, o regulamento inteiro.
Graças ao bom senso de uns poucos, se decidiu ler artigo por artigo. A maioria achou um saco ter que perder um tempão ali lendo toda aquela papelada. E o negócio se deu em meio a um blá, blá, blá, uma confusão tão grande, que não foi surpresa um erro ter passado despercebido. Mesmo uma tremenda cagada como o “supermando”.
O negócio foi feito de forma tão relaxada, que alguns decidiram abandonar o arbitral pela metade. Um deles foi o Coritiba, representado pelo então gerente (?) Paulo Jamelli. Ele mesmo, o ex-jogador do Santos. O Nacional de Rolândia, clube que deveria encarar o estadual como sua Champions League, também saiu antes e deixou que os demais deliberassem sobre taxas de arbitragem, preço de ingressos, direitos de televisão...
Ah, os direitos de televisão. Pois eis que a FPF tentou incluir, na mocada, na maciota, um artigo que dava a ela o direito exclusivo de negociar com as redes de tevê, sem interferência dos clubes. E se os clubes tivessem acatado a sugestão do Hélio Cury e aprovado tudo sem ler? Hum...
Pois bem. Para quem não sabe o que é “supermando”, só digo que é uma fórmula que dá ao primeiro colocado na primeira fase o direito de jogar em casa todas as sete partidas do octogonal final. E o oitavo lugar joga as sete fora. É claro que os clubes não decidiram por uma insanidade dessas, nem a FPF propôs isso. Mas em meio à baderna, foi o que apareceu escrito no documento final.
A FPF preferiu ignorar as tentativas de uma saída negociada e tentou impor, através da justiça desportiva, uma tabela que contrariava totalmente o regulamento. Também estive no julgamento no STJD, no Rio. Poucas vezes passei tanta vergonha. Fomos (nós, paranaenses) motivo de chacota para os auditores. Enquanto os advogados do CAP e da FPF se digladiavam, eles riam da nossa cara, incrédulos com tamanha barbaridade.
É claro que a FPF perdeu. E por isso, tivemos que ver o estadual do ano passado terminar dessa forma. E teremos que ver de novo em 2010, já que o estatuto do torcedor não permite mudanças em regulamentos com menos de dois anos de vigência.
E para deixar a coisa ainda mais bacana, o campeonato já começa sob o risco de ser paralisado. Graças a uma confusão ainda maior que rolou na segunda divisão. É mole? Sem falar na decisão de marcar o jogo do Coritiba na Vila Capanema, enquanto o regulamento diz que clube com estádio interditado não pode jogar na mesma cidade...
E lá vamos nós, para mais um fracasso. Relaxa e goza, torcedor.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Com a cara na porta
Alex Sandro é uma das principais promessas do atual elenco do Atlético Paranaense. Aos 18 anos, já disputou posição de titular no ano passado e é uma das apostas de Antônio Lopes para A seleção já faz parte da vida de Alex. O sonho de vestir a amarelinha virou realidade cedo, nas equipes sub-18, sub-19 e sub-20. O Atlético deveria tratar o garoto como jóia rara, com toda a atenção que um potencial craque, criado em casa, merece.
Para tê-lo junto ao elenco na pré-temporada, pediu que fosse dispensado da seleção. Por isso, Alex não disputou o torneio que terminou na última quarta-feira, no Uruguai.
A decisão por si já é questionável. Afinal, mais alguns jogos pela seleção seriam importantes, como experiência e valorização profissional para Alex. Com a idade que tem, os dias de preparação física puxada no CT do Caju certamente não fariam falta para ele. Teria ainda todo o Campeonato Paranaense para se adaptar à função que o treinador quer e se entrosar com os novos companheiros.
Mas Antônio Lopes quis que o garoto ficasse por perto e assim foi feito. Sua dispensa da seleção saiu no dia 11 de dezembro. O problema maior é que ninguém avisou Alex. Se passaram 24 dias, até 4 de janeiro, quando ele se apresentou no aeroporto, de terno, gravata e malas prontas, para embarcar para o Uruguai. E bateu com a cara na porta do avião. Só lá ficou sabendo de sua dispensa, a pedido de seu clube.
Um tremendo e inexplicável papelão. Do clube para com o jogador, que certamente sentiu uma terrível frustração. E diante de toda a comissão técnica e elenco da seleção, perplexos com tamanha gafe, e muito provavelmente com a impressão que o Atlético se tornou um clube de várzea.
Alex ainda almoçou no aeroporto com os “colegas” do time brasileiro. E voltou para Curitiba num vôo providenciado pela CBF, que, constrangida pela situação vivida pelo guri, bancou as passagens.
A explicação para o fato foi a pior possível. Alex teve que ouvir que foi o departamento jurídico quem pediu seu afastamento e por isso deveriam ser eles, os advogados, que deveriam informá-lo de sua dispensa. Como se não houvesse no departamento de futebol gente ganhando muito bem para isso...