quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Com a cara na porta

Alex Sandro é uma das principais promessas do atual elenco do Atlético Paranaense. Aos 18 anos, já disputou posição de titular no ano passado e é uma das apostas de Antônio Lopes para 2010. A versatilidade faz o guri, lateral-esquerdo de origem, brigar também por uma posição no meio-campo, como volante.

A seleção já faz parte da vida de Alex. O sonho de vestir a amarelinha virou realidade cedo, nas equipes sub-18, sub-19 e sub-20. O Atlético deveria tratar o garoto como jóia rara, com toda a atenção que um potencial craque, criado em casa, merece.

Para tê-lo junto ao elenco na pré-temporada, pediu que fosse dispensado da seleção. Por isso, Alex não disputou o torneio que terminou na última quarta-feira, no Uruguai.


A decisão por si já é questionável. Afinal, mais alguns jogos pela seleção seriam importantes, como experiência e valorização profissional para Alex. Com a idade que tem, os dias de preparação física puxada no CT do Caju certamente não fariam falta para ele. Teria ainda todo o Campeonato Paranaense para se adaptar à função que o treinador quer e se entrosar com os novos companheiros.


Mas Antônio Lopes quis que o garoto ficasse por perto e assim foi feito. Sua dispensa da seleção saiu no dia 11 de dezembro. O problema maior é que ninguém avisou Alex. Se passaram 24 dias, até 4 de janeiro, quando ele se apresentou no aeroporto, de terno, gravata e malas prontas, para embarcar para o Uruguai. E bateu com a cara na porta do avião. Só lá ficou sabendo de sua dispensa, a pedido de seu clube.


Um tremendo e inexplicável papelão. Do clube para com o jogador, que certamente sentiu uma terrível frustração. E diante de toda a comissão técnica e elenco da seleção, perplexos com tamanha gafe, e muito provavelmente com a impressão que o Atlético se tornou um clube de várzea.

Alex ainda almoçou no aeroporto com os “colegas” do time brasileiro. E voltou para Curitiba num vôo providenciado pela CBF, que, constrangida pela situação vivida pelo guri, bancou as passagens.


A explicação para o fato foi a pior possível. Alex teve que ouvir que foi o departamento jurídico quem pediu seu afastamento e por isso deveriam ser eles, os advogados, que deveriam informá-lo de sua dispensa. Como se não houvesse no departamento de futebol gente ganhando muito bem para isso...

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